I-Pod SuperNova  

Posted by paulinho dagomé

Era uma vez uma menina
e em cada beijo uma alucinação
o meu deserto e a minha ilha
o meu abismo e minha salvação
era uma flor e uma felina
o meu zodíaco meu mapa astral
era uma lua leonina
o meu começo e o meu final
a minha erva e a minha sina
a minha dúvida e o meu tesão
a minha régua libertina
minha companhia e minha solidão
era uma vez não sei ainda
será pra sempre será casual
era aconchego e armadilha
campo minado e flores no quintal

ah bruta flor do querer
ah bruta flor bruta flor

o meu ofício e alquimia
a engenharia de um poema tal
que nem pessoa pensaria
em tanto gozo em pleno funeral
era meu ácido e meu vício
o meu ovário e meu calcanhar
era meu hálito e armistício
o meu espelho no seu pegnoir
era o pulsar de uma vagina
na língua doce licor de hortelã
era uma boca turmalina
na exuberância de uma deusa sã

ah bruta flor do querer
ah bruta flor bruta flor

uma princesa de brasília
vinda das minas de joão guimarães
tão solidão e tão família
umas laranjas e umas maçãs
era canção que não termina
arquitetura da inspiração
oh joão cabral não me azucrina
se a gente ama a gente é boçal
era maleita e era saúde
era garimpo era comercial
era alarido era alaúde
era meu sólido e água mineral

ah bruta flor do querer
ah bruta flor bruta flor

e como és lágrima e alumínio
eu me ajoelho pra beijar teus pés
e lamentar meu infortúnio
ser o que sou e não o que tu és
e como és forte como eu sou tranqüilo
me pulverizo em teu amor fatal
e sugo o leite dos teus três mamilos
com meu teatro e meu natural

ah bruta flor do querer
ah bruta flor bruta flor

wonderful  

Posted by paulinho dagomé


euvossaúdowonderful


euvossaúdoemchicadasilva

euvossaúdoemfridakahlo

euvossaúdoemdonabeja

eemsantaritadesãopaulo


Euvossaúdowonderful


euvossaúdoemcarolina

florbelaespancageorgesand

euvossaúdoemcoralina

saraberhnardtdonaflor


euvossaúdowonderful


vosreconheçoderepente

vendodaúdeemminhafrente

vosreconheçobethaniagal

joanad’arcemmeuquintal


euvossaúdowonderful


joanaangélocaanitagaribaldi

mariabonitabidúsayão

fernandamontenegrosimonedebeouvaoir

elektravenuscapitubatsebah


euvossaúdowonderful

caligrafia  

Posted by paulinho dagomé


havia de ser cursiva

havia

a letra com que escreveria

teu nome

e havia de ser redonda

havia

a minha caligrafia

havia


parágrafos elegantes frases leves e concisas

períodos levitantes palavras puras precisas

substantivos perfeitos pronomes somente um

segunda pessoa somente somente somente tu


precioso pergaminho havia de ser o papel

resina sobrenatural celulose quase um véu

e fonte e tipo e formato e estilo machadiano

como o ato como ato sobre uma cama de ébano


nada de telegrafia nada de telefonia

talvez um pombo-correio nem pense em telepatia

nada por via satélite nada de emails senhora

nada enviado por fax nada por ondas sonoras


havia de ser cursiva

havia

a letra com que escreveria

teu nome

e havia de ser redonda

havia

a minha caligrafia

havia

senhora  

Posted by paulinho dagomé


não digo adeus

digo até breve


não digo não

eu digo sim


mesmo alquebrada semibreve

mesmo janela sem luar

mesmo as paredes sem janela

não digo nunca

digo agora


só ouço tua voz

senhora

sigo teus ensinamentos


em ti sou um ateu que ora

em ti sou crente que blasfema


só vejo a ti

senhora minha

mina do meu auto-garimpo


trava em meu ego

tranca em minha língua

troça do meu verbo

trinca meu orgulho


trucida minha sapiência

telazul

cinepoema


supra-sumo

quintessência

valquíria/batsebah/elektra/messalina


meu crack

minha senhora

penhora minha alma densa


eu não sou mais um radical livre  

Posted by paulinho dagomé



acabo de rever muitas das fotos que foram tiradas ao longo dos anos nos saraus que juntos realizamos tanto na casa de máximo mansur em cuja casa fizemos um arremedo de casa de cultura como na que posteriormente passou a se chamar casa de cultura do morro azul ou na pizzaria via livre ou no paiol e até no buonna pizza na igreja santo afonso e nem sei onde mais onde juntamente com julio saulo madrigal rockmengle cícero de oliveira luis claudio sena peri p. silva máximo mansur nanah farias devana babu bia di farias priscilla sena zeca oreba élio júnio hellen cris shirlene de carvalho vaz gugu nayara e chiquinho batera pensei e modelei aos poucos o que veio a se chamar singelamente sarauradical e nem sei quanta gente foi literalmente tocada pelos eflúvios benfazejos deste sopro de cultura em forma de teatro musica poesia dança e cinema que invadiu nossa pacata são sebastião nestes tempos em noites festivas e de doce lembrança fosse recitando poesia ou jogando uma bela partida de xadrez ao som de mpb ou de autentica música sertaneja deliciando-nos com a sensual dança do ventre ou com a batida eletrônica do hip-hop comendo pizza e degustando a arte feita pelas nossas próprias mãos e fugindo de macaquear a produção alienígena independemente do fato de ser boa ou má a arte que vem de fora para dentro mas priorizando aquela que boa ou má apesar de não sair dos limites da nossa restrita geografia é a que com efeito criamos

ao rever estas fotos procuro fugir de qualquer tipo de saudosismo precoce uma vez que adotei este perfil de sólida impenetrabilidade emocional e não posso deixar vir à tona qualquer traço do bucólico sentimentalismo que escondo a sete chaves debaixo das minhas sete capas azuis sob pena de desabar ante o peso de ver sucumbir o que se poderia denominar um sonho acalentado durante meses diante do que intimamente apelidei de incompetência para o exercício da coletividade disfarçada de marxismo e que do alto da minha pseudosabedoria milenar e baianamente herdada do que há de melhor em elomar figueira e caetano veloso sem falar da minha proverbial modéstia que faria buda corar como uma virgem afegã se me afigura a principal fonte onde bebe a goles haustos o monstro da ignorância imbusbebável que gerou nos seus dois ventres insaciáveis o fruto podre evidenciado em egos dez vezes maiores que os próprios talentos alguns dos quais foram reverenciados no inicio desta minha fala vacilante porém auto-sustentável

afastar-me das atividades dos radicais livres que fundei com meus companheiros tornou-se imperativo ante o fato bastante conhecido por quem de direito de que nos bastidores dos eventos por nós capitaneados ocorriam situações de cunho acentuadamente egocêntrico hipócrita malévolo e politiqueiro que ao longo do tempo geraram mal estar de tal monta que o gosto quase gozoso da confraternização final em torno das fatias de pizza gentilmente fornecidas primeiramente pelo generoso eugenio e posteriormente pelo igualmente generoso saulo até chegar recentemente ao templo do forró sansebastianense adquiriu um travo e um amargor ao longo dos vários saraus em virtude (ou vício) das pequenas rusgas rotineiras intermitentemente nocivas entre poucas porém importantes figuras do nosso restrito leque de personas que ao longo do percurso não conseguiram posicionar-se à altura do projeto diuturnamente elevado à categoria de vitrine do que de melhor se produzia neste nosso sofrido rincão eivado de olarias e oleiros que num momento pareciam dotados de mãos preparadas para o exercício da arte cidadania necessária para o utópico encurtamento da distancia entre o centro e a periferia e no instante seguinte já eram flagradas no amealhar de dividendos assaz individualistas e francamente opostos aos ideais que cumulavam madrugadas freudiunguianas nas dependências do centrão entre o tabaco e o absinto oh valei-me gregório de matos

não se quer aqui deixar sequer transparecer que a santidade tenha sido jamais um dos atributos deste cansado escriba autodidata e inédito forjado nas dependências destituídas de ventilação de um barraco de fundos no residencial do bosque cuja inocência tenha sido aviltada por ativistas extremistas do pseudo-socialismo selvagem no afã de mistificar covarde ou 'igorantemente' disfarçados sob a bandeira vermelha que ora tem adquirido uns tons de rosa e violeta mas que nada impede seja de novo tingida com o vermelho vivo do sangue dos apóstatas desta verdadeira fé socialista no sentido mais humanista da proposta e que não carece de siglas para manter-se viva em sua cor e perfume que dagomé nunca foi santo nem quando freqüentava as dependências da congregação cristã no brasil empunhando o seu trombone de varas e colocando a boca no mesmo para desespero dos anciãos que viam naquele agitador precoce a figura de um lobo travestido de um casaco muito semelhante ao que usavam as incautas ovelhas do seu rebanho destituído de indivíduos dotados de elevado grau de quociente de inteligência e que logo trataram de o lançar no lago de fogo e enxofre do flagelo existencial em cujas labaredas o arremedo de consciência do meliante sofreria mormente pela falta de estrutura psicológica que nunca foi um dos pontos fortes de um elemento que jamais digeriu plenamente a quantidade de informação recebida em função da falta de capacidade intelectual que sempre disfarçou bem sob o arremedo de verniz comprado na feira dos importados de um peruano que vivia na bolívia e muitas coisas trazia de lá

não obstante o dito acima é notório entre os pares que o farol do coletivismo sempre iluminou os caminhos do baiano de vitória da conquista como glauber rocha e a luta contra os fachos e tochas do obscurantismo egocapitalsocialistíco sempre norteou a existência deste a quem o futuro dará a alcunha e o status de herói e cuja espada afiada ou seja sua própria língua absurdamente ferina limada que foi na leitura de meia dúzia de bons clássicos entre eles dante e maquiavel e o indefectível gregório nunca cessou de golpear duramente no lombo despreparado de certas figuras esdrúxulas cuja pseudoliderança foi recentemente posta em xeque (mate?) devendo em futuro próximo revelarem-se ou não capazes de reciclar-se no enfrentamento das vicissitudes próprias das zonas mais periféricas da sociedade devendo ou sobressair-se demonstrando a desimportancia da verve capetística do futuro pseudo-herói ou chafurdando-se no lodaçal das mesquinhas irrealizações pessoais cuja importância histórica se revelará ínfima senão nula no desenrolar dos papiros que serão legados à posteridade e que trarão em si os relatos que elevarão os nobres e fidalgos á condição de reis e rainhas e reduzirão a pó a alma dos fracos e mistificadores que proliferam amplamente em nossos átrios mas que serão enfim extirpados quando da ascensão da verdade enfim liberta pela assimilação da cultura como elemento saneador da sujeira que impera enublecendo corações e mentes

deve-se deixar claramente evidenciada a necessidade de se direcionar o grosso dos holofotes desta nossa cena suburbana sobre o talento indiscutível dos artistas que tem se apresentado nestes verdadeiros bolsões de resistência cultural a que denominamos saraus que aqui e acolá se levantam como demonstração viva de que o povo valoriza as manifestações culturais sim! e que a dificuldade de acesso a estas é o maior empecilho para a proliferação de pontos de cultura bem sucedidos inclusive independentes do poder público não obstante esta mesma luz há de iluminar a necessidade premente do desenvolvimento de um espírito de coletividade e união do que podemos denominar fracamente de classe artística uma vez que o individualismo grassa entre os membros desta casta tão carente de locais adequados para a execução da sua difícil tarefa de cigarras tão formigas quanto quaisquer outros trabalhadores e cuja árdua missão tão comprometida pela carência de políticas públicas apropriadas é acentuada pelo exarcebamento de posições claramente opostas ao ajuntamento das forças necessárias para levar a bom termo o ideal de uma sociedade cujos princípios sejam norteados pela priorização da educação e da cultura sem os quais a sonhada mudança pela qual tantos foram feitos mártires não se realizará nem em nossos dias nem nos dias dos nossos filhos pois não será em uma ou duas gerações que realizaremos o sonho de uma sociedade paritária onde as oportunidades sejam iguais para todos independentemente de raça cor ou preferência sexual

com raríssimas e desonrosas exceções meus companheiros da primeira e da última hora a saber os que já citei acima e isaac mendes nilson do violão célio mão de aço vamir vjc eduardo cabeção cristiano silva daniel pereira da silva david diego suricate emerson altair gabriel pendragon gilwilliamjeferson duprado john wayne josélia leleco laercio leomar ph luis próton mauricio bunda de caneta mauro neilma nico roberto rodrigo rangel romário raylan samuel shirle duprado loyson humberto thalita will junior hidra valquiria thuane entre outros que eles são tantos e minha memória pouca estes permanecem ao meu lado e eu ao lado deles atentos e desafiadores das vicissitudes passageiras com o espírito pronto para a exemplo do santo de nome sebastião receber as frechadas com o olhar lacrimoso e apiedado vestido apenasmente com a tanga de pano barato que nos permitirem ficar mas orgulhosos dos nossos feitos passados e dos grandes feitos futuros que nos esperam certamente uma vez que o planalto central não nos poderá esquecer facilmente pois nascemos para uma glória especial e para sermos pilastras no modernoso templo cultural que construiremos ao misturar a argamassa do conhecimento com o sangue da sabedoria que verteremos nas madrugadas insones ao compor o novo hit escrever a nova esquete ou pintar o novo quadro.

que saibamos reconhecer nossas carências e virtudes e repensando-as nos reencontrarmos no futuro para realizações tão significantes como este para mim saudoso e inesquecível sarauradical dos radicais livres sociedade anônima que por ora tornou-se apenas um álbum de retratos digital. por ora.

mais um rap - o rap do malagay  

Posted by paulinho dagomé

malagay.wma EditAdd title...

“To ligado” nas “parada” mano

Esse sistema é mesmo muito desumano

Eu era um cara respeitado no pedaço

Mais conhecido como Célio mão-de-aço

Eu dava as “orde” pra tudo quanto é Mané

E eu vivia só cercado de “muié”

“Tresoitão” na cinta eu tava bem na fita

E a minha mina sempre era a mais bonita

A mulherada só vivia no meu vácuo

e a “malaiada” só puxando o saco

todas gatinhas me tratando como um rei

Até que um dia eu me tronei o malagay

Quando eu saia minha mãe desesperava

Pois ela não tinha certeza se eu voltava

Até que um dia na trigésima depê

Na minha cela eu fui caindo na “deprê”

Fiquei pensando minha vida é uma merda

Batia em prostituta só pra ver a queda

Chamava minha ma e de “véia” desgraçada

Só não batia porque ficava calada

Só não chamava minha Irmã de santa e rapadura

Cheirava tanto que quase meu nariz fura

Era cola com merla e coca com maconha

Heroína com pequi e crack com pamonha

E foi ali na cela da delegacia

Que eu conheci o sargento Garcia

A primeira vista eu me apaixonei

E desde então eu me tornei o malagay

Essa paixão inesperada mudou toda minha vida

Estou mudada estou muito agradecida

Eu era infeliz e felizmente eu não sabia

Ate que eu conheci o sargento Garcia

Na primeira vez que a gente se beijou

O seu enorme bigode o meu nariz coçou

Na segunda vez confesso que gostei

Mas na terceira vez eu já me viciei

Mas minha mãe contratou um advogado

Que em um mês já havia me soltado

Sem usar mascara assaltei o beerrebe

E a policia logo veio me prender

1. E desde então tem sido assim a minha vida

2. Já estou pensando em me tornar um suicida

3. E ver se eu pego uma pena mais polpuda

4. Pois transferiram meu Garcia pra papuda

outro rap  

Posted by paulinho dagomé


encontrar entre extremos o objeto

que me faça ser reto e verdadeiro

ser inteiro mesmo que fracionário

visionário e os pés no mundo inteiro

e espero não ter que esperar muito

pelo pouco que quero e não consigo

e se sigo é de teima e desespero

desamparo descrença e desabrigo

a ironia me protege

o desprezo é armadura

meu riso de mofa

meu olho de escárnio

disfarce pra minha ternura

distinguir entre as rosas e os cardos

porque tardo nesta ideologia

a vazia comédia em que faço

o palhaço despido de ironia

desmistificar ritos e oráculos

com meu báculo hirto destra língua

tenho a idade antiga dos profetas

e a paixão dos poetas pela vida

a ironia me protege

o desprezo é armadura

meu riso de mofa

meu olho de escárnio

disfarce pra minha ternura

fomentar esse estranho objeto

desmedido desejo de justiça

que não vinga por não vingar o feto

dessa minha clarividência omissa

me perdôo porque me acovardo

e adio e tardo a revolta

minha escolta são arcanjos arqueiros

sou guerreiro de eterna meia volta

a ironia me protege

o desprezo é armadura

meu riso de mofa

meu olho de escárnio

disfarce pra minha ternura

vislumbrar entre os estreitos e os largos

a justeza da minha fantasia

deus em deu essa tempera de aço

mas negou-me do mesmo a face fria

engajar-me mas abster meus olhos

do fanático brilho que degusto

que justifica a guerra e a faz santa

mata a planta a criança e acha justo