mil fragmentos de aço  

Posted by paulinho dagomé in

mil fragmentos de aço
pretérito mais que imperfeito
muralhas os peitos e os braços
de pau a pique e cansaço

cinismo fraudulento nos pleitos
legisla-se em autoproveito
ceva-se o próprio provento
em detrimento do pátrio

o trágico trajeto que traço
do teu ó torre terraço
ao seio do solo cerrado
não passa de sonho emperrado

remiro os viadutos esparsos
desejo ó morte em vão teu regaço
que pra viver de fato sou macho
mas não te abraço não não te abraço

erijo altares aos deuses que faço
enquanto aspiro marijuana e tabaco
esculpo totens de plástico e aço
cubro meu rosto com máscara e escalpo

calço alpercatas prenhes de cangaço
bola de gude no campo estrelado
zorro em quadrinhos tex homem de aço
prateleiras da globo sobrando enlatados

há pernas travestidas no meu sonho fácil
as dobras do planeta quase não têm talco
há algo de pútrido na pátria de lamarca
a falta que a moeda faz quando na barca

antolhos delimitam meu espaço
condicionado feito mero rato
antonte tresantonte o que que eu faço
quem sou quem fui nada me diz de fato

que eu não pergunto nada sou relapso
que eu não vou tolamente no encalço
a incógnita me fere o crânio imerso
no verso abstraído substrato

do cansaço da vida. do cansaço...

as armadilhas desfeitas com cuidados de artesão  

Posted by paulinho dagomé in

as armadilhas desfeitas com cuidados de artesão
os pés de cabra do espírito para arrombar o portão
da mansão do imponderável veja meu caro leitor
não adiantou de nada pois “o” que “é” superior

preparou um game absurdo e uma sucessão de fases
de tal modo delineadas que só mesmo os mais capazes
completariam o processo e abraçariam o premio
que ele com algum requinte e requififes de gênio

preparara de antemão e eu besta de fazer dó
capacitei-me com estilo para ser sim o melhor
mas a vida escorreu nos dedos sem que eu conseguisse ver
ao fim as letras neonizadas baby baby game over

eu disse sim mas porém  

Posted by paulinho dagomé in

eu disse sim mas porém
disse quem sabe talvez
eu disse claro contudo
eu disse é mas não nem

ela veio foi vindo mulher dos diabos como uma oração que um ateu proferiu
fiquei desaprumado taludo calado peludo pelado e o sono fugiu
era um ritmo lento que foi aumentando virou sinfonia e o planeta explodiu
mas não era no iraque nem era no egito nem era na síria nem era no rio

eu disse sim mas porem
disse quem sabe talvez
eu disse claro contudo
eu disse é mas não nem

era todo dia era toda noite era noite inteira e o corpo febril
era pomo e pele e nuca e seio e cóccix  e era labareda no seu xibiu
era preta e roxa era rubro e rosa e lilás e ai puta que o pariu
era punk rock maracatu samba funk gospel num só vinil

eu disse sim mas porem
disse quem sabe talvez
eu disse claro contudo
eu disse é mas não nem

era pink floyd renato russo mano brown caymmi e gilberto gil
era plínio marcos gregório kant sakuro nietzcsche num só funil
ela disse bote ela disse tire ela disse bise e depois se riu
era um disparate era uma biscate mas pura assim ninguém nunca viu

eu disse sim mas porem
disse quem sabe talvez
eu disse claro contudo
eu disse é mas não nem

era polaroyd walitta Singer monark adidas pepsi bombril
era mão e boca e mamilo e perna e priquita e bunda e peito e quadril
ela foi embora silenciosamente em uma manhã primeiro de abril
burro besta otário idiota tolo cretino trouxa tonto imbecil   

Luzes da Cidade - Para Nanah  

Posted by paulinho dagomé in

As luzes da cidade servem só pra iluminar
Teus passos na avenida pra que todos possam ver
Que não há outra tão bonita nesta freguesia
E eu sou aquele que ela escolheu por companhia
E juntos pelas ruas todos podem perceber
Que fomos feito um pro outro yeah

Eu gosto dela mais do que gosto de mim
Eu vou com ela a qualquer parte e até o fim
E embora os anos passem nosso amor é juvenil
No cento do planeta no coração do Brasil

Se o sol clareia terra ela é quem clareia o sol
Enquanto se espreguiça toda embaixo do lençol
e enquanto ela se arruma lentamente pra sair
Eu fico imaginando o melhor meio de a despir
Estrelas piscam pra melhor iluminar você
Em seu passeio pela noite yeah

Eu gosto dela mais do que gosto de mim
Eu vou com ela a qualquer parte e até o fim
E embora os anos passem nosso amor é juvenil
No cento do planeta no coração do Brasil

poema de natal  

Posted by paulinho dagomé in

é meio sem sentido meu trabalho

é meio angustiante meu ofício

pois quase não há nele benefício

com ares de um mero quebra-galho



por isso quase sempre me atrapalho

tentando construir esse edifício

que me parece sempre mais difícil

pois quanto mais caminho mais encalho



e como me parece ser tão falho

esse mister de eterno reinício

mais semelhante ao pátio de um hospício

que aos praticáveis vãos de que me valho



onde cozo retalho por retalho

a túnica que não encobre o vício

do egocentrismo vil farto de indícios

de que o caminho é torto, falso e falho



não tanto pelas dores que amealho

que elas não são maior malefício

que a grande arma em formato de míssil

que’stá direcionada ao espantalho



que sou com minha roupa em frangalhos

da qual só me restou parco resquício

do lorde que eu fui mas bem ao inicio

e que no fim semelha-se a um paspalho



cujo mister parece mais um atalho

que um caminho em que seja propício

não dar com os cornos em algum hospício

onde alma e mente fiquem em frangalhos



ainda que nesta insana lida o falho

sou eu no manuseio do cilício

***
neste dia do teu natalício

suplico ó Jesus roto e grisalho



mesmo ateu e ovelha em tresmalho

preparada no altar do sacrifício

dá sentido a esse desonroso ofício

antes que eu mande tudo pro...

4ª Noite SuperNova: Voce não pode perder!  

Posted by paulinho dagomé in

Estrela do Mar - Inscrita no Festival Canta Ceilândia  

Posted by paulinho dagomé in

A voz e o violão são de Ysmael Carrara.
O Quadro é de Monet.
A música e a letra são de Dagomé.
Quem de vocês encara!