euvossaúdowonderful
euvossaúdoemchicadasilva
euvossaúdoemfridakahlo
euvossaúdoemdonabeja
eemsantaritadesãopaulo
Euvossaúdowonderful
euvossaúdoemcarolina
florbelaespancageorgesand
euvossaúdoemcoralina
saraberhnardtdonaflor
euvossaúdowonderful
vosreconheçoderepente
vendodaúdeemminhafrente
vosreconheçobethaniagal
joanad’arcemmeuquintal
euvossaúdowonderful
joanaangélocaanitagaribaldi
mariabonitabidúsayão
fernandamontenegrosimonedebeouvaoir
elektravenuscapitubatsebah
euvossaúdowonderful
havia de ser cursiva
havia
a letra com que escreveria
teu nome
e havia de ser redonda
havia
a minha caligrafia
havia
parágrafos elegantes frases leves e concisas
períodos levitantes palavras puras precisas
substantivos perfeitos pronomes somente um
segunda pessoa somente somente somente tu
precioso pergaminho havia de ser o papel
resina sobrenatural celulose quase um véu
e fonte e tipo e formato e estilo machadiano
como o ato como ato sobre uma cama de ébano
nada de telegrafia nada de telefonia
talvez um pombo-correio nem pense em telepatia
nada por via satélite nada de emails senhora
nada enviado por fax nada por ondas sonoras
havia de ser cursiva
havia
a letra com que escreveria
teu nome
e havia de ser redonda
havia
a minha caligrafia
havia
não digo adeus
digo até breve
não digo não
eu digo sim
mesmo alquebrada semibreve
mesmo janela sem luar
mesmo as paredes sem janela
não digo nunca
digo agora
só ouço tua voz
senhora
só
sigo teus ensinamentos
em ti sou um ateu que ora
em ti sou crente que blasfema
só vejo a ti
senhora minha
mina do meu auto-garimpo
trava em meu ego
tranca em minha língua
troça do meu verbo
trinca meu orgulho
trucida minha sapiência
telazul
cinepoema
supra-sumo
quintessência
valquíria/batsebah/elektra/messalina
meu crack
minha senhora
penhora minha alma densa
ao rever estas fotos procuro fugir de qualquer tipo de saudosismo precoce uma vez que adotei este perfil de sólida impenetrabilidade emocional e não posso deixar vir à tona qualquer traço do bucólico sentimentalismo que escondo a sete chaves debaixo das minhas sete capas azuis sob pena de desabar ante o peso de ver sucumbir o que se poderia denominar um sonho acalentado durante meses diante do que intimamente apelidei de incompetência para o exercício da coletividade disfarçada de marxismo e que do alto da minha pseudosabedoria milenar e baianamente herdada do que há de melhor em elomar figueira e caetano veloso sem falar da minha proverbial modéstia que faria buda corar como uma virgem afegã se me afigura a principal fonte onde bebe a goles haustos o monstro da ignorância imbusbebável que gerou nos seus dois ventres insaciáveis o fruto podre evidenciado em egos dez vezes maiores que os próprios talentos alguns dos quais foram reverenciados no inicio desta minha fala vacilante porém auto-sustentável
afastar-me das atividades dos radicais livres que fundei com meus companheiros tornou-se imperativo ante o fato bastante conhecido por quem de direito de que nos bastidores dos eventos por nós capitaneados ocorriam situações de cunho acentuadamente egocêntrico hipócrita malévolo e politiqueiro que ao longo do tempo geraram mal estar de tal monta que o gosto quase gozoso da confraternização final em torno das fatias de pizza gentilmente fornecidas primeiramente pelo generoso eugenio e posteriormente pelo igualmente generoso saulo até chegar recentemente ao templo do forró sansebastianense adquiriu um travo e um amargor ao longo dos vários saraus em virtude (ou vício) das pequenas rusgas rotineiras intermitentemente nocivas entre poucas porém importantes figuras do nosso restrito leque de personas que ao longo do percurso não conseguiram posicionar-se à altura do projeto diuturnamente elevado à categoria de vitrine do que de melhor se produzia neste nosso sofrido rincão eivado de olarias e oleiros que num momento pareciam dotados de mãos preparadas para o exercício da arte cidadania necessária para o utópico encurtamento da distancia entre o centro e a periferia e no instante seguinte já eram flagradas no amealhar de dividendos assaz individualistas e francamente opostos aos ideais que cumulavam madrugadas freudiunguianas nas dependências do centrão entre o tabaco e o absinto oh valei-me gregório de matos
não se quer aqui deixar sequer transparecer que a santidade tenha sido jamais um dos atributos deste cansado escriba autodidata e inédito forjado nas dependências destituídas de ventilação de um barraco de fundos no residencial do bosque cuja inocência tenha sido aviltada por ativistas extremistas do pseudo-socialismo selvagem no afã de mistificar covarde ou 'igorantemente' disfarçados sob a bandeira vermelha que ora tem adquirido uns tons de rosa e violeta mas que nada impede seja de novo tingida com o vermelho vivo do sangue dos apóstatas desta verdadeira fé socialista no sentido mais humanista da proposta e que não carece de siglas para manter-se viva em sua cor e perfume que dagomé nunca foi santo nem quando freqüentava as dependências da congregação cristã no brasil empunhando o seu trombone de varas e colocando a boca no mesmo para desespero dos anciãos que viam naquele agitador precoce a figura de um lobo travestido de um casaco muito semelhante ao que usavam as incautas ovelhas do seu rebanho destituído de indivíduos dotados de elevado grau de quociente de inteligência e que logo trataram de o lançar no lago de fogo e enxofre do flagelo existencial em cujas labaredas o arremedo de consciência do meliante sofreria mormente pela falta de estrutura psicológica que nunca foi um dos pontos fortes de um elemento que jamais digeriu plenamente a quantidade de informação recebida em função da falta de capacidade intelectual que sempre disfarçou bem sob o arremedo de verniz comprado na feira dos importados de um peruano que vivia na bolívia e muitas coisas trazia de lá
não obstante o dito acima é notório entre os pares que o farol do coletivismo sempre iluminou os caminhos do baiano de vitória da conquista como glauber rocha e a luta contra os fachos e tochas do obscurantismo egocapitalsocialistíco sempre norteou a existência deste a quem o futuro dará a alcunha e o status de herói e cuja espada afiada ou seja sua própria língua absurdamente ferina limada que foi na leitura de meia dúzia de bons clássicos entre eles dante e maquiavel e o indefectível gregório nunca cessou de golpear duramente no lombo despreparado de certas figuras esdrúxulas cuja pseudoliderança foi recentemente posta em xeque (mate?) devendo em futuro próximo revelarem-se ou não capazes de reciclar-se no enfrentamento das vicissitudes próprias das zonas mais periféricas da sociedade devendo ou sobressair-se demonstrando a desimportancia da verve capetística do futuro pseudo-herói ou chafurdando-se no lodaçal das mesquinhas irrealizações pessoais cuja importância histórica se revelará ínfima senão nula no desenrolar dos papiros que serão legados à posteridade e que trarão em si os relatos que elevarão os nobres e fidalgos á condição de reis e rainhas e reduzirão a pó a alma dos fracos e mistificadores que proliferam amplamente em nossos átrios mas que serão enfim extirpados quando da ascensão da verdade enfim liberta pela assimilação da cultura como elemento saneador da sujeira que impera enublecendo corações e mentes
deve-se deixar claramente evidenciada a necessidade de se direcionar o grosso dos holofotes desta nossa cena suburbana sobre o talento indiscutível dos artistas que tem se apresentado nestes verdadeiros bolsões de resistência cultural a que denominamos saraus que aqui e acolá se levantam como demonstração viva de que o povo valoriza as manifestações culturais sim! e que a dificuldade de acesso a estas é o maior empecilho para a proliferação de pontos de cultura bem sucedidos inclusive independentes do poder público não obstante esta mesma luz há de iluminar a necessidade premente do desenvolvimento de um espírito de coletividade e união do que podemos denominar fracamente de classe artística uma vez que o individualismo grassa entre os membros desta casta tão carente de locais adequados para a execução da sua difícil tarefa de cigarras tão formigas quanto quaisquer outros trabalhadores e cuja árdua missão tão comprometida pela carência de políticas públicas apropriadas é acentuada pelo exarcebamento de posições claramente opostas ao ajuntamento das forças necessárias para levar a bom termo o ideal de uma sociedade cujos princípios sejam norteados pela priorização da educação e da cultura sem os quais a sonhada mudança pela qual tantos foram feitos mártires não se realizará nem em nossos dias nem nos dias dos nossos filhos pois não será em uma ou duas gerações que realizaremos o sonho de uma sociedade paritária onde as oportunidades sejam iguais para todos independentemente de raça cor ou preferência sexual
com raríssimas e desonrosas exceções meus companheiros da primeira e da última hora a saber os que já citei acima e isaac mendes nilson do violão célio mão de aço vamir vjc eduardo cabeção cristiano silva daniel pereira da silva david diego suricate emerson altair gabriel pendragon gilwilliamjeferson duprado john wayne josélia leleco laercio leomar ph luis próton mauricio bunda de caneta mauro neilma nico roberto rodrigo rangel romário raylan samuel shirle duprado loyson humberto thalita will junior hidra valquiria thuane entre outros que eles são tantos e minha memória pouca estes permanecem ao meu lado e eu ao lado deles atentos e desafiadores das vicissitudes passageiras com o espírito pronto para a exemplo do santo de nome sebastião receber as frechadas com o olhar lacrimoso e apiedado vestido apenasmente com a tanga de pano barato que nos permitirem ficar mas orgulhosos dos nossos feitos passados e dos grandes feitos futuros que nos esperam certamente uma vez que o planalto central não nos poderá esquecer facilmente pois nascemos para uma glória especial e para sermos pilastras no modernoso templo cultural que construiremos ao misturar a argamassa do conhecimento com o sangue da sabedoria que verteremos nas madrugadas insones ao compor o novo hit escrever a nova esquete ou pintar o novo quadro.
que saibamos reconhecer nossas carências e virtudes e repensando-as nos reencontrarmos no futuro para realizações tão significantes como este para mim saudoso e inesquecível sarauradical dos radicais livres sociedade anônima que por ora tornou-se apenas um álbum de retratos digital. por ora.
malagay.wma
Add title...
“To ligado” nas “parada” mano
Esse sistema é mesmo muito desumano
Eu era um cara respeitado no pedaço
Mais conhecido como Célio mão-de-aço
Eu dava as “orde” pra tudo quanto é Mané
E eu vivia só cercado de “muié”
“Tresoitão” na cinta eu tava bem na fita
E a minha mina sempre era a mais bonita
A mulherada só vivia no meu vácuo
e a “malaiada” só puxando o saco
todas gatinhas me tratando como um rei
Até que um dia eu me tronei o malagay
Quando eu saia minha mãe desesperava
Pois ela não tinha certeza se eu voltava
Até que um dia na trigésima depê
Na minha cela eu fui caindo na “deprê”
Fiquei pensando minha vida é uma merda
Batia em prostituta só pra ver a queda
Chamava minha ma e de “véia” desgraçada
Só não batia porque ficava calada
Só não chamava minha Irmã de santa e rapadura
Cheirava tanto que quase meu nariz fura
Era cola com merla e coca com maconha
Heroína com pequi e crack com pamonha
E foi ali na cela da delegacia
Que eu conheci o sargento Garcia
A primeira vista eu me apaixonei
E desde então eu me tornei o malagay
Essa paixão inesperada mudou toda minha vida
Estou mudada estou muito agradecida
Eu era infeliz e felizmente eu não sabia
Ate que eu conheci o sargento Garcia
Na primeira vez que a gente se beijou
O seu enorme bigode o meu nariz coçou
Na segunda vez confesso que gostei
Mas na terceira vez eu já me viciei
Mas minha mãe contratou um advogado
Que em um mês já havia me soltado
Sem usar mascara assaltei o beerrebe
E a policia logo veio me prender
1. E desde então tem sido assim a minha vida
2. Já estou pensando em me tornar um suicida
3. E ver se eu pego uma pena mais polpuda
encontrar entre extremos o objeto
que me faça ser reto e verdadeiro
ser inteiro mesmo que fracionário
visionário e os pés no mundo inteiro
e espero não ter que esperar muito
pelo pouco que quero e não consigo
e se sigo é de teima e desespero
desamparo descrença e desabrigo
a ironia me protege
o desprezo é armadura
meu riso de mofa
meu olho de escárnio
disfarce pra minha ternura
distinguir entre as rosas e os cardos
porque tardo nesta ideologia
a vazia comédia em que faço
o palhaço despido de ironia
desmistificar ritos e oráculos
com meu báculo hirto destra língua
tenho a idade antiga dos profetas
e a paixão dos poetas pela vida
a ironia me protege
o desprezo é armadura
meu riso de mofa
meu olho de escárnio
disfarce pra minha ternura
fomentar esse estranho objeto
desmedido desejo de justiça
que não vinga por não vingar o feto
dessa minha clarividência omissa
me perdôo porque me acovardo
e adio e tardo a revolta
minha escolta são arcanjos arqueiros
sou guerreiro de eterna meia volta
a ironia me protege
o desprezo é armadura
meu riso de mofa
meu olho de escárnio
disfarce pra minha ternura
vislumbrar entre os estreitos e os largos
a justeza da minha fantasia
deus em deu essa tempera de aço
mas negou-me do mesmo a face fria
engajar-me mas abster meus olhos
do fanático brilho que degusto
que justifica a guerra e a faz santa
mata a planta a criança e acha justo
Sobre Mim
- paulinho dagomé
- Meu pai ia dormir pelas dez e acordava às duas da matina. Preparava a massa, punha para fermentar, “queimava” o forno enorme de alvenaria, e assava o pão. O meu irmão abria a padaria de madrugadinha e ficava esperando os fregueses e entre uma venda e outra dedilhava o velho violão da casa. * * * Não se trata de romper com estruturas formais ou informais ou marginais ou tins e bens e tais... Não se trata de estar contra nada, muito menos a favor. Não se trata de ter amor ou ódio. Ou lições a dar. Ou homenagens a fazer. Ou inovações literárias ou estéticas a forjar. Apenas uma tentativa marginal de expressão. Tudo à revelia. desse papo e dessa dor que vai se avizinhando agora sorrateira e taciturna. Trata-se da tentativa de completar o vínculo entre quem escreve ou pinta ou encena com quem vê ou lê como círculo virtuoso para que se processem até as recriações possíveis e inevitáveis a partir do completamento do processo. Faço meu pão, abro a vendinha e espero os fregueses... Trata-se de fabricar e vender pão...






