img { max-width: 100%; height: auto; width: auto\9; /* ie8 */ }
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

Luzes da cidade

As luzes da cidade servem só pra iluminar 
Teus passos na avenida pra que todos possam ver 
Que não há outra tão bonita nesta freguesia 
E eu sou aquele que ela escolheu por companhia 
E juntos pelas ruas todos podem perceber 
Que fomos feitos um pro outro yeah 

Eu gosto dela mais do que gosto de mim 
Eu vou com ela a qualquer parte e até o fim 
E embora os anos passem nosso amor é juvenil 
No cento do planeta no coração do Brasil 

Se o sol clareia a terra ela é quem clareia o sol 
Enquanto se espreguiça toda embaixo do lençol 
 e enquanto ela se arruma lentamente pra sair 
Eu fico imaginando o melhor meio de a despir 
Estrelas piscam pra melhor iluminar você 
Em seu passeio pela noite yeah 

Eu gosto dela mais do que gosto de mim 
Eu vou com ela a qualquer parte e até o fim 
E embora os anos passem nosso amor é juvenil 
No cento do planeta no coração do Brasil

Voz: Yuri Mello
Música e letra: Paulo Dagomé












Uma Canção para Niemeyer


A minha vida é sempre assim... 
É como a flora do cerrado...
São galhos tortos postos 
sobre estes troncos torturados...
Mas preparei flores pra ti... 
E frutos bem adocicados...
Cajus, cagaitas e pequis... 
Mangas colhidas com cuidado!

Retas perseguem setas e rotas nunca dantes experimentadas...
Eu vi um ângulo impossível furar o vão e virar escada!
Era uma mão ou era uma asa aquela concha tão desvairada?
E aquele vão onde passam vans...? E aquele voo por sobre o nada?!

E aquele círculo em espiral e aquela curva tão concavada!
E olhem só que palmas esguias! E estas formas enfileiradas...
Esteta louco! Não vê que cai! Este experimento vai dar em nada!
Vejo que ri atrás dos bigodes e da prancheta endiabrada!

E do início até aqui
Lobo guara´sempre acuado
Chego a pensar em desistir!
Querem-me exterminado!
Mas eu persisto em insistir...
Meu território demarcado!
Ó meu amor é para ti 
o meu esforço concentrado...

Paulo Dagomé com imagens de Nilmar Paulo

A Travessia do Eixão

encaro o eixo
às seis da tarde
dispenso de nossa senhora a proteção
enfrento a torre embriagado
pela certeza de não ter convicção

não tenho medo da presença
da nostalgia nestes descampados
tenho nobreza e fidalguia
para enfrentar as hostes dos malvados

só não tenho força 
quando o teu olhar
pede em silencio
o que eu não posso dar

o dom da certeza de um final feliz
eu não sei... eu não sou... eu não vou... eu não quis

disparo balas
destemperado
sobre os fantasmas
e os fantoches da nação

que nunca passa desse estado
de coisa prenhe de miséria e opressão

saco meu colt
incoerente
e meto bala
nestes desgraçados

eu tenho a espada dos analfabetos
e empunho o escudo dos injustiçados

Paulo Dagomé e Chico Batera - Imagens de Nilmar Paulo

Na medida Certa - Para uma dupla sertaneja que eu gosto muito



Eu quero ganhar dinheiro na medida certa
Se não não valeria a pena ser poeta
Mas quero sentimento alem da medida
Se não não valeria a pena viver a vida

Eu quero um carro zero e um belo de um apê
Mas vou tratar meus semelhantes como deve ser
Eu quero uma tevê com tela de LCD
Mas com muita delicadeza eu vou tratar você


Eu quero ganhar dinheiro na medida certa
Se não não valeria a pena ser poeta
Mas quero sentimento alem da medida
Se não não valeria a pena viver a vida

Eu quero tudo que o dinheiro pode oferecer
Mas quero oferecer dinheiro pra quem merecer
Eu quero ser muito famoso aparecer na tevê
Mas das minhas origens juro nunca me esquecer


Eu quero ganhar dinheiro na medida certa
Se não não valeria a pena ser poeta
Mas quero sentimento alem da medida
Se não não valeria a pena viver a vida

Eu vou andar de Jet Sky no lago ao entardecer
E fazer show de caridade sem cobrar cachê
Eu vou correr o mundo inteiro só fazendo turnê
Mas sempre vou voltar correndo pra amar você


Eu quero ganhar dinheiro na medida certa
Se não não valeria a pena ser poeta
Mas quero sentimento alem da medida
Se não não valeria a pena viver a vida




Caldo de Cana e Pastel ou: A Solidez da Solidão





a solidez da solidão toca sua tumba na ceilandia
antítese da Disneylândia hospedeira da ilusão

ela se cria totalmente em nordestino material
farinha pouca e rapadura nos desvãos do seu embornal

domingo à tarde na feira
caldo de cana e pastel
coisa bonita de olhar
mesmo com ausência de mar
é esse céu esse céu

do velho chico ou Parnaíba pra capital sem capital
deixei a minha namorada e as bananeiras do quintal

mala de sola sol a pino minha chorando na jinela
eu vim-me embora pra ceilandia pra o ano eu volto em minha terra

a gente migra mas a alma num tem quem possa ver migrano
senta num banco de três pernas fogão de lenha lhe aquentano

a gente pensa para o ano a gente pensa todo dia
eu vou voltar pra minha terra comer torresmo com farinha

a solidão a insensatez de permanecer labutando
nas copas e jardins dos lagos capacho do doutor fulano

eu também quero a burguesia eu também quero todo ano
casa de praia na Bahia bem longe do doutor sicrano



O Quinto dos Infernos ou: Malabares Vermelhos


eles estão todo dia pedindo no sinal vermelho
mas os meus olhos vermelhos canabis sativa não vão envolvê-los
o meu partido vermelho certo não vai acolhê-los
mas eles inspirarão canções que arrepiarão nossos cabelos

faremos campanhas ocasionais para tentar protegê-los
caldeirões de sopa rala bem quente acredite poderão detê-los
poemas indignados e alguns filmes de apelo
farão dormir a consciência quentinha em lençóis e macios travesseiros

deu no jornal nacional que a campanha anual demonstrou o desvelo
da sociedade civil que como nunca se viu ajudou os fedelhos
indignos indignados falaram mal do governo
depois voltaram pro apê para se proteger e aos seus aparelhos

protegeremos o coração com uma espessa camada de gelo
e fingiremos não ver pelo vidro fume os seus magros artelhos
faremos documentário e lhes daremos conselhos
e ficaremos em paz doando cinco reais sem precisar revê-los

parecem milhares girando seus malabares vermelhos
estão por todo o país com uma cara infeliz de eterno pesadelo
parecem não tomar banho parecem não ter espelhos
deve haver um lugar pra esse povo morar no quinto dos infernos







Van Helsing



Dagomé canta no Sarau Poemação

Você fica pilhada quando eu erro

Mas eu não erro eu não erro
Eu uso tons dissonantes
E eu não me acostumo com seu berro
Eu me lanho eu me ferro
Mas não mudo meu semblante

E principalmente estou falando sério
Um decibel não altero
ante um fato angustiante
Mesmo que eles me ponham a ferros
Eu to lhe sendo sincero
Sou como quem toma calmantes

Eu protegi a obra de Homero
Das águas num outro hemisfério
E já na cordilheira dos Andes
No quarto escuro de um monastério
Eu decifrei seus mistérios
Depois banhei-me no Ganges

Parti numa caravela com Antero
Por conta de uns bucaneros
Que nunca leram Cervantes
Mas que traziam no espírito férreo
O fogo fátuo etéreo
Dos cavaleiros andantes

E eu consumi tanto ópio com Nero
Que eu disse pêra e ele eu num pero
E com o olhar delirante
Pegou da tocha do gás e do isqueiro
Que quando eu cheguei no terreiro
O fogo tava era longe

Com toda calma que os deuses me dero
Eu disse Nero eu espero
Conforme eu já lhe disse antes
Que você me esqueça e me erre não quero
descer na cova de um cemitério
Como cúmplice de um meliante

Cuspindo eu apaguei o fogo do inferno
Vesti o minotauro num terno
E ele virou protestante
Calei a boca da noite com um berro
Pus no capeta um sombrero
Mas serrei os chifres antes

O dalai lama quase perde o ministério
Pois ele saiu do serio
Num dialogo impressionante
E eu calmo como um camelo e sincero
Disse o teu cargo eu não quero
Quero é o teu lado arrogante

Sou como um seguidor de lutero
Eu desde o útero quero
a paz de um qualquer ruminante
Sou um Buda baiano e me esmero
Em crer que não desespero
mesmo enfrentando gigantes

E mesmo partindo do marco zero
Eu paro eu penso eu pondero
e vou seguindo adiante
Mas quando você fala que eu erro
eu grito eu berro eu não erro
Eu uso tons dissonantes

Vá Você


vá você

não há o que fazer
você se recusou a me dar atenção
e eu não vou esquecer
quando eu disse que sim você falou que não
eu tentei entender
eu quis lhe explicar mas você se opôs
o que eu posso fazer
cê só pensa em você não pensa em nós dois

vá você

num bota minha mãe
no meio disso ela não tem nada a ver
num xinga minha irmã 
ela não faz fofoca ela não é você
corno é o seu pai
pergunta pra sua mãe que você vai saber
viado é seu irmão
não desgruda de joão cê pensa que eu não sei

vá você

pode me ameaçar
pode descabelar eu tô é por aqui
num fala assim de pai
que pai morreu dizendo pra eu largar de ti
cê aprontou demais
eu nunca tive paz derna que eu te achei
naquele pardieiro
chei de gigolô lésbica puta e gay


De: Paulinho Dagomé
Por: Isaac Mendes