img { max-width: 100%; height: auto; width: auto\9; /* ie8 */ }


Formigas carregavam folhagens no parque do bosque

Enquanto abelhas zuniam no centro solenemente

Cigarras cantavam na árvore que sombreava um quiosque

Onde joaninhas voavam com um certo ar descontente

Renato gravava músicas em idiomas estrangeiros

Enquanto um homem comprava mais um pastel na viçosa

Caia uma chuva fina ainda não era janeiro

E ficar debaixo das cobertas era uma coisa tão gostosa

Que Neilma decidiu não ir tão cedo pro salão

Quando bem quis desceu e foi comprar leite e pão

E viu que o skina 14 estava estranhamente vazio

Achou que poderia tomar café com nanah

Pensou que nil já tinha saído pra trabalhar

Voltou pra cama puxou o edredon e dormiu

0 comentários:

para vocês sabem quem


Você comeu da fruta

Que eu plantei no nosso quintal

De uma maneira astuta

E com os modos de um animal

Você fugiu da luta

Levando a minha arma letal

Usando a força bruta

E me atirando no lamaçal

sua memória curta

deve ser como o seu próprio pau

coisinha diminuta

contrariamente ao seu próprio mal

sua aparência culta

é só verniz seu cara de pau

à luz da minha lupa

vê-se que não possui cabedal

chegou à idade adulta

como um adolescente anormal

a sua face oculta

é falsa e superficial

certeza absoluta

você não sabe o que é ter moral

eu posso ser biruta

mas sei reconhecer um vagal

3 comentários:

é só uma forma de expressão












é só uma forma de expressão

nem erudita nem pretensa

a ser protesto objeção

mexer com castas raças crenças


é só o grito a opinião

sobre profundas desavenças

na flor de carne coração

na flor de sangue violência


é só a praxe da canção

sempre que pinta a conseqüência

de conviver com quem já não

tem vínculos com a inocência


é precaver-se e com razão

é aboletar-se em providencias

olhar não ver nenhum irmão

e embotar a consciência


que o homem vive só de pão

tua palavra é só falência

e as fábulas do coração

perderam a vã eficiência


perder de vez a sensação

de haver sentido pra existência

andar de déu em déu e em vão

sobre o planeta em decadência


e a rima pobre como o cão

e a mente torpeza e demência

não virará mar o sertão

se extinguirmos da mão

a providencial truculência

0 comentários:

cabelos penteados cuidadosamente


cabelos penteados cuidadosamente

untados com neutrox e loção

um terno da colombo bem cortado

nugget nos sapatos com devoção


discurso ensaiado em frente ao espelho

semântica sintaxe discrição

eu fui à casa da guria à noite

e disse tudo com convicção


decorei todo um trecho de pessoa

daqueles cheio assim de depressão

cantei uma cantiga antiga do daguma

levei uma rosa ainda em botão


pus perfume da natura e comprei

uma cueca zorba de algodão

passei a tarde inteira lavando

minha monark com o meu irmão


cortei as unhas com um unhex novinho

fiz bem a barba com gillete e então

pus alfazema pra ficar cheiroso

camiseta hering estampa da legião


vesti minha calça Lee aquela bem justa

e pus meu all star que eu pintei à mão

usei vários bastões de cotonetes

pra ouvir melhor seu coração


pus a caneta bic no bolso traseiro

depois do banho óleo de amêndoas paixão

peguei minha monark barra circular

e fui pra casa dela na melhor das intenção


e ela foi capaz de dizer não

e ela foi capaz de dizer não

e ela foi capaz jesus cristinho

e ela foi capz de dizer não

0 comentários:

e súbito me entorpeces


e súbito me entorpeces

me desencaminhas

e amordaço a ética já rala

e a vala e o abismo e o precipício

sugam-me

e julgam me engolir pra todo o sempre

?pra sempre é quando

?e até quando

?pra sempre é a sucessão do mesmo interminável ciclo

?circo

?círculo

?curral

e cínico me cercas

e vergas meu crânio negroide

e curvas o meu esqueleto andróide

e invades o meu afro coração

?mas qual é mesmo o nome que ostentas

no afã de enganar ser ilusório

?mas qual te u sobrenome e nação

?de onde provem a fúria com que alagas

meu ser galáctico


meu tato auto-cáustico devora-se

no jade dessa pele ouro e sal

?será teu nome amor filha dos deuses

?teu nome é paixão filha do sol


sonho de carne

cerne absoluto

fruto proibido

libido em ascensão

?será teu beijo haxixe e papoula

e teu abraço a mais doce prisão

põe do teu ópio em meu cachimbo de ouro

que eu sou rei mas tua é a coroa

e o cetro aponta firme em tua direção

0 comentários:

olhos como um mar de cristal


olhos como um mar de cristal líquido

como se em marte houvera mar

olhos do tamanho do pacifico

nau de neon no alto mar


lábios que corroem como acido

braços que me vão acorrentar

e eu cativo desse amor tão sádico

não desejo mais me libertar


se vier

que venha logo

se ficar

seja pra sempre


toda a dissonância se harmonize

toda discrepância se dissipe

0 comentários:

eu juro não escrever os teus poemas


eu juro não escrever os teus poemas

e juro não estar só na madrugada

me entregando à dor da tua ausência

juro não confessar minha dependência

e juro não mendigar teu aconchego

prometo não tomar-te em meu abraço

tentando adiar tua partida

eu juro me conter na despedida

e não prender meu rosto em teu regaço

eu juro revestir meu rosto de aço

minha língua apenas falará coisas amenas

e eu juro não usá-la em

desabafos

teu abajur põe luz em toda a carne

teu hálito

teus hábitos

teu habitat


teu cálice de mel a mim vedaste

eu juro não pensar no que te fira

eu juro me esconder no meu silencio

eu juro blues e jazz na noite ácida

e a frente do palácio eu juro maravilha


não vou pichar com os nomes da gente


mas como

apagar

da minha

mente

a madrugada a desvelar-te lentamente

0 comentários:

paradoxo

esqueço porque

não posso lembrar

que os meus paradoxos

já não tem nexo

deixa estar

e expresso porque

preciso calar

meus falidos versos

são pálidos restos

deixa pra lá

mas a gente continua

olhando pra lua

quando há luar

me esqueço do teu nome

percorrendo o mundo inteiro

sempre no mesmo lugar

e fujo porque

preciso enfrentar

fantasmas duendes

peneiras e redes

desde já

culpado porque

não posso provar

inocência que almeja

com antigos preceitos

modernizar

ir em frente ao principio

pro amor derradeiro

primeiro amor

não me lembro do endereço

mas teus olhos são faróis

que não podem me guiar

e vivo porque

eu morro de amor

e a incoerência

faz parte da crença

cresça já

e escondo porque

eu sei revelar

mistérios tão fundos

que os teus olhos mudos

vão falar

que eu estou ficando doido

lúcida loucura

de compreender

que não compreendo tudo

que deixei de ser criança

aprendendo a não crescer

insulto porque

eu sei respeitar

verdades tão claras

que a palavra rara

calará

e espalho porque

preciso ajuntar

de restos sem nexo

os meus paradoxos

e formar

dessas crenças absurdas

teorias mudas

canteiros em flor

não conheço o itinerário

não sei onde vou chegar

saio de lugar nenhum

0 comentários:

meu olhar vive boiando


meu olhar vive boiando à flor das águas
sorrateiras
meu olhar líquido somente para ti
é cachoeira
mas não pense que eu sou mole eu sou baiano
e capoeira
aprendi a jogar com os melhores em brigas
de fim de feira

você merece uma sinfonia
mas eu só sei fazer canções ligeiras
você merece um trovador
eu sou cantador de feira
você merece conquista a bahia e a vida inteira
mas minha alma é estrangeira

minha alma é tão chorona que talvez um mar
formasse
se a alegria ao meu redor não fizesse que eu
boiasse
à flor das águas sorrateiras que minam da tua
face
e impedem que me desintegre em dor e de mim
te desembarace

você merece uma sinfonia
mas eu só sei fazer canções ligeiras
você merece um trovador
eu sou cantador de feira
você merece conquista a bahia e a vida inteira
mas minha alma é estrangeira

0 comentários: