Lá vai São José, levando sua mulher
E um jumentinho já velho
Deixou o seu torrão, rendeu o coração
À força do evangelho...
Enquanto isso eu perco o senso e a direção
Em trilhas quase esquecidas do meu coração...
Se tento ser quase um soldado
Sou bêbado como Noé!
Mirando espelhos tão quebrados quanto a minha fé!
E olha lá Davi, tocando aqui e ali
As ovelhinhas de Jessé...
Mas para ser rei, deixou a antiga grei!
Matou gigantes por Javeh!
Enquanto isso o absurdo é minha lei!
Pois quase sempre sou quase sempre o que não sei...
Eu perco peso, eu perco sono,
E a filha de Jefté
Morreu tão virgem quanto a minha chance de vencer!
E olhem Daniel a desnudar o véu
De babilônicas místicas!
Faz sua oração e achou no coração
Lógica na metafísica!
Mas eu me ocupo do corpo e culpo a situação
Por meus temores na noite escura! Treva e trovão!
Meu pulso pesa, o pé vacila
E a natural timidez
Me prende a voz, me turva a vista e eu perco a vez...
E lá vai Jesus, nas ruas de Jebus
Como quem sabe o caminho...
Ao servo e ao capataz, lições de amor e paz
A dor e os seus descaminhos...
Eu nem me enxergo no túnel onde a luz sumiu!
Esmurro a ponta da lança que teu peito abriu!
Eu quase sempre... Ás vezes... Nunca!
De vez em quando... Talvez...
Creia que haja uma saída pra essa insensatez!
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on sexta-feira, 20 de maio de 2011
at 15:35
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Sobre Mim
- paulinho dagomé
- Meu pai ia dormir pelas dez e acordava às duas da matina. Preparava a massa, punha para fermentar, “queimava” o forno enorme de alvenaria, e assava o pão. O meu irmão abria a padaria de madrugadinha e ficava esperando os fregueses e entre uma venda e outra dedilhava o velho violão da casa. * * * Não se trata de romper com estruturas formais ou informais ou marginais ou tins e bens e tais... Não se trata de estar contra nada, muito menos a favor. Não se trata de ter amor ou ódio. Ou lições a dar. Ou homenagens a fazer. Ou inovações literárias ou estéticas a forjar. Apenas uma tentativa marginal de expressão. Tudo à revelia. desse papo e dessa dor que vai se avizinhando agora sorrateira e taciturna. Trata-se da tentativa de completar o vínculo entre quem escreve ou pinta ou encena com quem vê ou lê como círculo virtuoso para que se processem até as recriações possíveis e inevitáveis a partir do completamento do processo. Faço meu pão, abro a vendinha e espero os fregueses... Trata-se de fabricar e vender pão...
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