com meus sapatos coloridos eu vou
caçar vampiros pra comer no jantar
traço fantasmas no café da manhã
duendes vou almoçar
o nome dela tatuado no peito
sou conhecido como chefe de um clã
que habita os descampados de babilônia
sou primo-irmão de satã
foi sempre assim e vai ser sempre assim
com meu casaco camuflado eu vou
prender demônios no fundo do quintal
eu venho a ser contraparente do cão
cresci batendo em baal
com meus coturnos escarlate e bronze
traço morcegos no lanchinho das três
espanco hitler meto a mão em sadã
entre um holocausto e um apartheid
foi sempre assim e vai ser sempre assim
com meu boné blindado em aço eu vou
buscar lagartos pra sopa de dragão
os meus passeios são no armagedon
dizendo seu nome em vão
com minha calça cibernética adoro
detonar bombas de dez mil megatons
sobre demônios e capetas letais
sobre sacis de neon
foi sempre assim e vai ser sempre assim
com minha língua sifilítica eu vou
surrar capetas só pra vê-los dançar
eu quebro espelhos copos pratos e afins
só porque eu gosto de azar
com os meus óculos de infravermelho
e a camiseta com a suástica preta
a minha senha eu vou contar pra vocês
é o número da besta
foi sempre assim e vai ser sempre assim
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on terça-feira, 4 de outubro de 2011
at 06:50
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Sobre Mim
- paulinho dagomé
- Meu pai ia dormir pelas dez e acordava às duas da matina. Preparava a massa, punha para fermentar, “queimava” o forno enorme de alvenaria, e assava o pão. O meu irmão abria a padaria de madrugadinha e ficava esperando os fregueses e entre uma venda e outra dedilhava o velho violão da casa. * * * Não se trata de romper com estruturas formais ou informais ou marginais ou tins e bens e tais... Não se trata de estar contra nada, muito menos a favor. Não se trata de ter amor ou ódio. Ou lições a dar. Ou homenagens a fazer. Ou inovações literárias ou estéticas a forjar. Apenas uma tentativa marginal de expressão. Tudo à revelia. desse papo e dessa dor que vai se avizinhando agora sorrateira e taciturna. Trata-se da tentativa de completar o vínculo entre quem escreve ou pinta ou encena com quem vê ou lê como círculo virtuoso para que se processem até as recriações possíveis e inevitáveis a partir do completamento do processo. Faço meu pão, abro a vendinha e espero os fregueses... Trata-se de fabricar e vender pão...
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