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mil fragmentos de aço

mil fragmentos de aço
pretérito mais que imperfeito
muralhas os peitos e os braços
de pau a pique e cansaço

cinismo fraudulento nos pleitos
legisla-se em autoproveito
ceva-se o próprio provento
em detrimento do pátrio

o trágico trajeto que traço
do teu ó torre terraço
ao seio do solo cerrado
não passa de sonho emperrado

remiro os viadutos esparsos
desejo ó morte em vão teu regaço
que pra viver de fato sou macho
mas não te abraço não não te abraço

erijo altares aos deuses que faço
enquanto aspiro marijuana e tabaco
esculpo totens de plástico e aço
cubro meu rosto com máscara e escalpo

calço alpercatas prenhes de cangaço
bola de gude no campo estrelado
zorro em quadrinhos tex homem de aço
prateleiras da globo sobrando enlatados

há pernas travestidas no meu sonho fácil
as dobras do planeta quase não têm talco
há algo de pútrido na pátria de lamarca
a falta que a moeda faz quando na barca

antolhos delimitam meu espaço
condicionado feito mero rato
antonte tresantonte o que que eu faço
quem sou quem fui nada me diz de fato

que eu não pergunto nada sou relapso
que eu não vou tolamente no encalço
a incógnita me fere o crânio imerso
no verso abstraído substrato

do cansaço da vida. do cansaço...

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as armadilhas desfeitas com cuidados de artesão

as armadilhas desfeitas com cuidados de artesão
os pés de cabra do espírito para arrombar o portão
da mansão do imponderável veja meu caro leitor
não adiantou de nada pois “o” que “é” superior

preparou um game absurdo e uma sucessão de fases
de tal modo delineadas que só mesmo os mais capazes
completariam o processo e abraçariam o premio
que ele com algum requinte e requififes de gênio

preparara de antemão e eu besta de fazer dó
capacitei-me com estilo para ser sim o melhor
mas a vida escorreu nos dedos sem que eu conseguisse ver
ao fim as letras neonizadas baby baby game over

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